«O Peixe de Herberto»©FMG

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Cartazes, Diário Literário - Parte II - «A Narrativa»: #48

 © Frederico Mira George

#48
Morreu e ninguém sabia explicar como ou porquê. Tinha sido tão fulgurante a sua aparição como o seu extravio.
Era barbeiro e não tinha nada a perder (só o que não arriscasse). Adorador do fado erudito e insurreto que Amália tinha inventado, historiador atento do que se passara nas vanguardas punk dos anos 70, criou para si um estilo e uma configuração musical tão inesperada que de choque ninguém ousou contestar.
Da sua requintada barbearia no Príncipe Real às noites da Lisboa mais escura e oculta, António confeccionou variações de si mesmo: Figurinos teatrais para as suas expressões de combate. Poemas e melodias nos extremos. Do ridículo e da erudição. Variações inquietas das personagens que ele era.
Morreu e nada se sabia sobre o que o matara. Respirava-se a notícia: uma doença sem explicação tinha baixado à terra para ceifar os imortais.
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